Pular para o conteúdo

22 de novembro de 2012

Quer ajudar as pessoas? Conheça a nova onda do crowdfunding.

por innovacentro

Plataformas de financiamento coletivo permitem doar dinheiro para inovações ou oferecer serviços.

Um professor da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) tem um projeto com vários médicos que buscam a cura do câncer. Sem dinheiro para continuar com a ação, ele pensou em conseguir doações. Recorreu ao crowdfunding (ou financiamento coletivo), uma das mais recentes ondas da web.

“O professor conseguiu mais de US$ 40 mil para comprar equipamentos para o seu projeto”, afirmou David Harvilicz, CEO da When you Wish, a plataforma de crowdfunding escolhida pelo professor. O site também já ganhou a atenção de famosos, como o ator Jamie Foxx, que pede doações para um torneio de basquete e o ator Will Smith, que está pedindo doações para projetos educacionais. Há ainda quem peça ajuda aos fãs para fazer o seu álbum, como o caso do rapper Stat Quo. O segredo para conquistar essa elite? Não tem nenhum, foi apenas networking. “Sou amigo do Jamie Foxx e ele contou sobre o site para outros artistas”, disse Harvilicz.

Com o sucesso do site nos Estados Unidos, Harvilicz, que já conhece o Brasil há 15 anos, decidiu lançar o When you Wish no país no último dia 23 de outubro. “Sempre quis lançar o site no Brasil, porque aqui tem um potencial enorme de pessoas muito criativas. Os brasileiros têm muitas ideias boas e não têm dinheiro para colocá-las em prática”, afirmou.

Com um aporte de US$ 2 milhões de investidores-anjo, Harvilicz não conta qual a expectativa de faturamento no mercado brasileiro. Mas provavelmente ela ainda é modesta. Nos EUA, a expectativa do mercado é faturar até o final do ano US$ 300 milhões. O Gartner mostra ainda que o mercado deve ser promissor. Segundo um levantamento feito pela consultoria, o setor no mundo deve alcançar US$ 6,2 bilhões até 2013.

Em um dos maiores sites de crowdfunding nos EUA, o Kickstarter, três milhões de pessoas já ajudaram em 30 mil projetos, segundo o jornal The New York Times. O mais curioso é que os projetos que mais receberam financiamento até setembro deste ano estavam voltados à criação de novos games, de acordo com uma reportagem da The Economist. Não deixa de ser uma forma de realizar sonhos e objetivos.

Se você já está com a cabeça cheia de ideias para colocar em prática, entenda um pouco mais sobre o crowdfunding nesta entrevista feita com o CEO da When you Wish.

Existem outros sites para arrecadar fundos na web como o Kickstarter, Gofundme, Gogetfunding, FirstGiving, JustGiving. Qual é o diferencial da When you Wish?
Na nossa plataforma, além de doar dinheiro, você pode oferecer serviços, como aulas de piano. Se alguém criar um projeto educacional no site, em vez de oferecer dinheiro, você pode se propor a dar aulas. Outro diferencial é que em outros sites é preciso atingir 100% da meta para o criador do projeto receber o financiamento. No When you Wish, o doador pode decidir se a sua ajuda chegará apenas se 100% da meta for completada ou independentemente disso.

Quais tipos de campanha dão mais certo?
Temos um bom exemplo que é a de um professor da UCLA. Ele reuniu vários médicos que podem ajudar na cura do câncer. Para pedir doações para as pesquisas, ele colocou o projeto no site e já conseguiu mais de US$ 40 mil.Temos também alguns criativos que desenvolveram uma impressora 3D para uso pessoal, que custa em torno de US$ 600. Eles não têm dinheiro para fazer o produto em escala e engajaram as pessoas a colaborarem com a tecnologia.

Qual foi a maior arrecadação até o momento? 
É de uma escola que ainda está arrecadando, a expectativa dela é chegar a US$ 10 milhões. Mas ela ainda não colocou o projeto no site. A estratégia para projetos grandes como esses é conseguir doações antes de colocar no site. Isso pode chamar mais atenção. As pessoas darão muito mais atenção para um projeto que já tem uma boa quantia arrecadada. Sabemos que a escola já conseguiu US$ 1 milhão, mas ainda não sabemos quando ela colocará o projeto no site.

As pessoas têm alguma participação na empresa se um projeto dá certo?
Não. Quem faz essa doação é porque acredita naquele trabalho e isso será uma recompensa pessoal. Se você ajuda uma banda que pouca gente conhece, você faz a doação porque quer ver ela tocar ao vivo.

Por que vocês decidiram lançar o site no Brasil?
Venho ao Brasil há 15 anos e já conheço várias cidades do país. Sempre quis lançar o site no Brasil porque aqui tem milhões de pessoas muito criativas, há muitas ideias. Os brasileiros tê muitas ideias boas e não têm dinheiro para colocá-las em prática. Ao mesmo tempo, o Brasil tem muitos problemas para serem resolvidos e um site como esse pode ajudar.

Os brasileiros podem ajudar as pessoas em qualquer lugar do mundo e vice-versa?
Sim, qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo pode ajudar. Para isso temos sistemas de pagamento como o PayPal.

Como as pessoas podem ter garantias de que o projeto é verídico? Por exemplo, alguém pode abrir uma campanha para ajudar crianças, mas na verdade quer o dinheiro para financiar uma viagem ou pagar uma dívida….
Pensamos muito nessa questão de fraude. Não temos um comitê para analisar cada projeto, deixaremos aberto para todos. Acreditamos na inteligência coletiva e na opinião dos usuários. Hoje, os internautas encontram uma fraude mais rapidamente que um comitê. Acreditamos muito na transparência. Apesar disso, também pedimos sempre que o criador do projeto coloque um vídeo para mostrar às pessoas. Outro ponto importante é que a pessoa precisa entrar com a sua conta do Twitter ou do Facebook, então ela colocará o rosto dela lá para todos verem.

Qual é a expectativa para o mercado brasileiro?
Não revelamos, mas posso falar que recebemos US$ 2 milhões de investidores-anjo recentemente. A expectativa de faturamento de mercado nos Estados Unidos até o final deste ano é de US$ 300 milhões.

Vocês se colocam como uma nova forma de capitalismo indie, em que não é preciso depender de bancos ou do governo para construir algo. Se vocês vão lucrar como os bancos, qual é a diferença de um modelo para o outro?
Não queremos expurgar o capitalismo, porque somos uma empresa como qualquer outra. A diferença é que estamos ganhando dinheiro beneficiando os outros e não ganhando como outras empresas capitalistas.

De onde vem o faturamento de vocês? Há alguma taxa revertida ao site depois de fazer a doação?
Ganhamos 5% de todas as doações feitas. Além disso, se um projeto é muito legal, falamos com a pessoa e investimos nesse projeto. Um dos nossos investimentos foi em uma pulseira eletrônica para uso médico hospitalar. Serão usadas pelas enfermeiras e médicos e estarão ligadas diretamente a aparelhos dos pacientes para avisar sobre o quadro clínico. Ela será muito importante quando um paciente começar a ter um pico de pressão ou algo muito sério. A informação chegará o mais rápido possível.

O que faz uma campanha ficar em destaque no site?
Olhamos os projetos todas as manhãs e colocamos em destaque os mais legais. Em julho tínhamos cerca de dois a três projetos inseridos no site diariamente. Hoje são cerca de 30 inserções diárias.

Em que o crowdfunding pode ajudar as pessoas e as empresas futuramente? Já pensaram em outros caminhos para ele?
É bom pensar no Wikipedia. No início, todo mundo achou que o Wikipedia não iria dar certo e agora todos acreditam nele. Com o crowdfunding, as pessoas vão mudar a maneira de pensar. Não precisarão esperar a ajuda de uma grande instituição por trás.
Fonte: Época Negócio  publicada em: 19/11/2012

Anúncios
Leia mais de Notícias

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Observação: HTML é permitido. Seu endereço de e-mail nunca será publicado.

Assinar os comentários

%d blogueiros gostam disto: