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23 de agosto de 2012

Tecnologia é responsável por encaixar a inovação dentro da estratégia da empresa

por innovacentro

Inovar é transformar uma ideia em um resultado palpável e mensurável para o negócio.

A inovação costuma ser tratada como sinônimo de uma invenção tecnológica revolucionária que aumente os lucros dos negócios. Mas o processo de inovação está mais ligado à própria cultura organizacional da empresa do que às tecnologias utilizadas. A avaliação de Maximiliano Carlomagno, sócio da Innoscience Consultoria em Gestão da Inovação, é de que a tecnologia é a peça da engrenagem que vai ligar as novas ideias à estratégia da companhia.

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Inovar é transformar uma ideia em um resultado palpável e mensurável para o negócio. Segundo o especialista, há um caminho que as empresas costumam tomar de adaptar os negócios aos frutos da inovação, quando o ideal é que as oportunidades se encaixem na cultura da empresa e ajudem-na a alcançar suas metas.

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“A inovação é que depende da estratégia, porque ela precisa gerar oportunidades, ideias e projetos que venham a executar os objetivos que a empresa quer alcançar”, diz. “Nenhuma empresa deixa de inovar porque não detêm certas tecnologias, mas porque não investe seu capital da maneira correta, não permite que as pessoas tentem coisas novas ou não abre tempo e espaço para o debate de novas ideias e para a avaliação de processos fora do comum.”

Ele falou sobre o assunto durante o comitê aberto de Inovação, realizado na Amcham-São Paulo nesta quarta-feira (18/07).

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O papel das tecnologias é, então, o de automatizar e modelar o registro e a seleção de ideias que podem representar oportunidades futuras à empresa. “A tecnologia entra para automatizar o processo e facilitar a colaboração entre as pessoas em torno de ideias e oportunidades a fim de promover melhores informações para a tomada de decisão”, explica.

A opinião é compartilhada pelo diretor de inovação da Braskem, Luis Cassinelli, para quem as ferramentas de gestão ajudam a manter o padrão da gestão de novos projetos. “E esse é um processo que tem que estar no sangue da empresa, com o qual a alta gestão se identifique para inovar sempre”, complementa.

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Para inovar não é preciso ser um gênio, mas um cuidado com a seleção e a execução de boas ideias que possam diminuir o trabalho e aumentar a produtividade.

Passos para inovar

Os palestrantes dizem que a solução tecnológica escolhida para registrar e armazenar as oportunidades de negócios depende de cada empresa. Mas há passos essenciais que permeiam até o processo de inovação rudimentar, aquele feito no passado sem o uso de tecnologias modernas que existem hoje.

Pelo esquema mostrado por Carlomagno, a inovação começa com a idealização de uma oportunidade. Nesta etapa, vale utilizar desde novas ideias da equipe até a análise de tendências de mercado e insights de clientes para a discussão do que é interessante e pode trazer retorno para a empresa.

O segundo passo é o de conceituar as propostas idealizadas. “É aqui que se avaliam o potencial dos conceitos e se aprimoram as ideias”, afirma. “As ideias nascem brutas e implementá-las quando ainda há riscos é a pior solução. É nesta fase que se identificam as incertezas.”

A experimentação vem em seguida para colocar o produto ou serviço à prova diante do que pode dar errado no mercado. Carlomagno cita uma frase do guru da inovação, Clayton Christensen, para mostrar a importância desta etapa. Diz o professor da Harvard Business School que “95% dos projetos inovadores mudam sua direção da ideia até a implementação”.

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A implementação é a fase em que o plano de negócios é colocado em prática. “Se antes a inovação era tratada mais no âmbito presencial, com encontros de brainstorming e o próprio contato por meio de redes informais de relacionamentos com os clientes, o que hoje a tecnologia permite é dar escala e facilitar o registro e o armazenamento dessas informações.”

Plástico verde

Cassinelli dá um exemplo prático do processo de inovação dentro da indústria química em que trabalha. O sistema de gestão de oportunidades da Braskem permite medir a viabilidade de uma nova ideia mesclando dados como risco, faturamento, aceitação no mercado, capacidade técnica e outras informações que os próprios funcionários inserem. Nem todos têm acesso ao banco de dados, então qualquer nova informação acaba passando por um questionário e por colaboradores responsáveis por alimentar esse sistema.

“O software recebe informações desestruturadas, das mais variadas fontes, de universidades até de vendedores e fornecedores, e ele mesmo filtra alguns dados”, resume o executivo. “O questionário ajuda a posicionar a ideia dentro do planejamento estratégico da empresa e isso vira um número que classifica a prioridade e a atratividade do projeto.”

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O diretor conta que, em um dos períodos de coleta de ideias, surgiram 300 sugestões, das quais 2/3 foram descartadas, mesmo encaixando-se dentro das estratégias. “De tempos em tempos essas ideias voltam à toda, por uma mudança no mercado ou por uma novidade tecnológica que torna viável uma ideia que antes era cara.”

O plástico verde, vencedor em “Práticas de Sustentabilidade” na categoria “Produtos e/ou Serviços” do Prêmio ECO 2011, foi uma das ideias que surgiu desses incentivos internos. O polietileno verde da petroquímica é um plástico de alta resistência obtido do etanol de cana-de-açúcar, cuja produção é menos poluente que a do polietileno convencional extraído dos derivados de petróleo, e que é pioneiro no Brasil.

Segundo Cassinelli, o essencial foi poder contar com um “sistema estruturado para capturar boas ideias antigas que podem ser acessadas de forma fácil”, diz. “É importante, em inovação, manter todos os projetos sugeridos – o que foram à frente e os que não foram.”

Pessoas e mudança

Carlomagno reforça que, além de a cultura organizacional estar aberta à inovação e de a empresa manter a tecnologia como apoio à estratégia do negócio, é preciso também que as pessoas estejam engajadas. Afinal, é delas que surgem as ideias.

“Tecnologias de gestão da inovação podem ser aplicadas em qualquer empresa, mas elas são só um pedacinho de todo o processo”, analisa. “Se não houver direcionamento da empresa e uma liderança que preze pelas pessoas e saiba incentivá-las, é possível que ninguém se mexa.”

Em outras palavras, ele defende que as companhias se perguntem, antes mesmo de buscarem as tecnologias, de que forma a organização utiliza parceiros, clientes e concorrentes na geração e refinamento de ideias e o que a alta gestão diz e faz para criar um ambiente que estimule a inovação.

“A grande graça da inovação é a descoberta de algo que não conhecemos e queremos aprender”, resume.

Ele conta que uma indústria farmacêutica mudou completamente o rumo de suas pesquisas no meio do desenvolvimento de um novo remédio para tratar de arritmia cardíaca. “O experimento apresentou algumas disfunções e o remédio causou reações adversas.”

A droga que antes trataria de problemas no coração começava a funcionar contra a disfunção erétil “e a empresa transformou seu trabalho inicial e mudou radicalmente seu escopo”. Trata-se do Viagra, da farmacêutica Pfizer, voltado à disfunção erétil.

A ideia original do produto foi alterada e é bem possível que os gestores tenham acrescentado outras informações e análises ao trabalho, como a longevidade da população ou a inexistência de um concorrente com outra solução interessante, afirma o consultor. “No meio do caminho a equipe se permitiu descobrir algo – para o bem da fabricante – e esse é sempre o tema central dos projetos de equipes inovadoras.”

Publicado no Site Amcham Brasil, em 18/07/2012.

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