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1 de agosto de 2012

Incubadoras selecionam novos projetos

por innovacentro

Vítor Andrade, do Porto Digital: um dos principais desafios das incubadoras é conseguir se manter, reduzindo a dependência do financiamento público

As incubadoras brasileiras estão à procura de novas empresas nas áreas de petróleo & gás, saúde, biotecnologia e tecnologia da informação (TI). Pelo menos 60 novos empreendimentos serão recebidos, em 2012, em cinco incubadoras ouvidas pelo Valor, no Rio de Janeiro, Sorocaba (SP), São Paulo, Recife e Porto Alegre.

Os complexos de inovação ajudam as companhias residentes a captar investimentos, melhorar habilidades de gestão e desenvolver pesquisas. Segundo estudo da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec), há 384 incubadoras no país, que abrigam 2,6 mil empresas.

A Incubadora de Empresas da Coppe, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com 15 negócios hospedados, procura empreendimentos nas áreas de óleo & gás, energia e tecnologia da informação (TI). Este ano, recebeu quatro novas companhias e um processo de seleção para outras quatro integrantes está em andamento, segundo a gerente Lucimar Dantas. “Recebemos 19 propostas de novas empresas”, 16 delas são de alunos e ex-estudantes da UFRJ.

Para entrar na Coppe, é preciso ser aprovado numa seleção que avalia critérios como grau de inovação dos produtos, potencial de interação com as atividades de pesquisas desenvolvidas pela UFRJ e pelas empresas residentes, além de capacidade gerencial dos empreendedores. “Não é necessário ter um negócio formalmente constituído, projetos também são aceitos na etapa seletiva”, diz Lucimar.

Criada em 1994, a incubadora carioca registrou um faturamento de R$ 182 milhões em 2011, um crescimento de 13% em relação ao ano anterior. Já graduou 48 empresas. A Oil Finder, por exemplo, foi criada para ajudar os clientes a descobrir novos sistemas petrolíferos, com a ajuda de modelos computacionais. Segundo a Coppe, a utilização da tecnologia aumenta a eficiência no setor de exploração, reduz a área de investigação em mais de 50 vezes e diminui o custo na busca de jazidas em US$ 60 milhões para cada US$ 1 bilhão investido.

A incubadora está construindo um novo prédio para até nove empresas. O projeto tem investimentos de R$ 2,5 milhões, com recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e do empresário Eike Batista. A previsão é de concluir as obras em 2013.

A incubadora C.A.I.S. do Porto, no parque tecnológico Porto Digital, em Recife, se especializou em empreendimentos na área de TI. Fundada em 2002, tem onze empresas incubadas. Até hoje, entregou seis negócios no mercado e, somente este ano, se despede de mais dez companhias.

Entre os sistemas desenvolvidos no local, há um software que controla a produção e distribuição de frutas, desde a colheita até o supermercado, e um sistema que vende materiais excedentes de construtoras. “Pretendemos receber cerca de 20 novos empreendimentos em 2012”, diz Vítor Andrade, coordenador de incubação do Porto Digital. As empresas devem iniciar o processo de incubação em agosto. “O interesse é por companhias que possam resolver os principais problemas de Pernambuco, relacionados à realização de grandes eventos e sustentabilidade”.

Para Andrade, um dos principais desafios das incubadoras nacionais é conseguir se manter, reduzindo a dependência do financiamento público. Para isso, os grupos precisam ser cada vez mais atrativos para empreendimentos inovadores e ofertar treinamentos condizentes à realidade das empresas. “O ‘carimbo’ da incubadora nos novos negócios precisa ser visto como um selo de qualidade”.

Em São Paulo, o Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec) movimenta R$ 2 milhões ao ano para manter 137 incubadas, segundo o diretor Sérgio Risola. Com perfil tecnológico, a incubadora deve graduar 12 novos negócios em 2012 e ficou conhecida no mercado de inovação por hospedar residentes como a Tramppo, que produz um equipamento para a recuperação do mercúrio em lâmpadas fluorescentes, e a Koller, autora de soluções de comunicação para deficientes auditivos.

Este ano, o Cietec deve receber cerca de 30 novas empresas. No primeiro processo seletivo do ano, de um total de três, foram aprovados 18 negócios, como um laboratório para análises microbiológicas e um serviço de governança para casas de idosos. Na segunda eliminatória do período, encerrado em junho, entraram empreendimentos das áreas de nanotecnologia e energia. “Não temos preferência por setor”, diz Risola. “É o mercado e a demanda por novas tecnologias que determinam o tipo de negócio que chega aqui”.

Segundo o especialista, o tempo de sobrevivência de empresas iniciantes chega a duplicar em companhias que já foram incubadas, ante os empreendimentos que não se beneficiaram dos “clusters” de inovação. Nos últimos meses, a incubadora tem reforçado o diálogo das residentes com grupos de investidores. A ideia é abreviar, ao máximo, o acesso dos aportes aos negócios.

“Estamos avaliando quatro novos projetos com possibilidade de incubação, entre desenvolvimento de software, processos inovadores na criação de brinquedos e aplicativos para dispositivos móveis”, revela Rodrigo Mendes, diretor da Incubadora Tecnológica de Empresas de Sorocaba (Intes), no interior paulista, que já formou 25 negócios, desde 2005. A Intes hospeda 13 empresas e mais de 60% delas estão nos setores de software e automação.

Na Incubadora Multissetorial de Base Tecnológica (Raiar), de Porto Alegre, são esperadas quatro novas empresas este ano. O conjunto abriga 29 empreendimentos, sendo 80% deles nas áreas de engenharia e TI.

Publicado na Valor Econômico, em 30/07/2012.

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