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31 de julho de 2012

Mercado de aplicativos busca inovação

por innovacentro

Pesquisa faz um raio-x do segmento e mostra que mercado caminha para consolidação, exigindo cada vez mais competência, criatividade e investimento das empresas

Quando o primeiro iPhone foi lançado em 2007, uma enxurrada de desenvolvedores se aventurou no mercado de aplicativos de olho na economia que a tecnologia móvel iria movimentar. Em cinco anos, o segmento explodiu. Só em 2011, o número de downloads de aplicativos cresceu 230%, de 9 bilhões para 30 bilhões, segundo o “Relatório Mobilize de Inteligência de Mercado”, divulgado em junho pela desenvolvedora de aplicativos digitais Aorta, empresa do grupo .Mobi.

O crescimento da banda larga, a chegada do 3G e a redução dos preços dos aparelhos compatíveis com essa tecnologia contribuíram para esse cenário. Segundo a empresa de pesquisa e trading Wedge Partners, este ano os smartphones vão se tornar a categoria mais importante do mercado brasileiro de celulares – e em breve ocuparão este posto em todo o mundo. Estima-se que dos 1,4 bilhão de celulares a serem vendidos no mundo em 2012, 35% serão smartphones. Em cinco anos essa participação deve chegar a 75%.

Em processo de consolidação, o setor agora se vê diante de uma nova tendência que promete trazer ainda mais movimento e oportunidades para as empresas do ramo. Pesquisa divulgada pela consultoria de tecnologia IDC mostra que a venda de tablets já avança sobre a de notebooks e desktops. Segundo o levantamento, mais de 370 mil aparelhos foram vendidos no Brasil nos três primeiros meses de 2012, o que representa um aumento de 351% sobre o mesmo período do ano passado.

Os cálculos da IDC apontam ainda que em dezembro, o total de vendas desses aparelhos deve chegar a 2,5 milhões ante 800 mil do ano passado – alta de 212,5%. “O brasileiro é muito tecnológico, gasta muito tempo nas redes sociais e gosta de consumir tecnologia. Em breve nos tornaremos um dos principais mercados do mundo nesse setor”, diz o diretor de operações da Aorta, Christian Redd.

Soma-se a isso a chegada da tecnologia 4G , o recente lançamento dos tablets da Microsoft e do Googlee o próprio crescimento do comércio eletrônico e fica mais fácil entender como esse mercado deve continuar crescendo em ritmo acelerado nos próximos anos.  Mas se as oportunidades são muitas, a facilidade de operar um negócio de desenvolvimento de aplicativos já não é a mesma de antes. “No início, a maioria dos players eram desenvolvedores de garagem e fundo de quintal. Hoje isso mudou. Existe uma tendência de consolidação e muitas empresas estão sendo compradas “, explica Redd que, após adquirir alguns pequenos negócios, vendeu sua empresa no início do ano para uma das gigantes desse mercado, a .Mobi.

Para enfrentar a concorrência pesada e conquistar clientes sem ter que apelar para a guerra de preços, as empresas  se veem diante de novos desafios. Entre eles, se adaptar às diferentes plataformas, lançar inovações e descobrir formas de rentabilizar esses aplicativos.

Segundo o levantamento feito pela Aorta, os apps gratuitos são mais populares que os pagos. Em 2011, 96% dos 30 bilhões dos downloads feitos em todo o mundo foram gratuitos. Mesmo assim, o faturamento do setor chegou a US$ 8,5 bilhões  – e estima-se que esse valor chegue a US$ 46 bilhões em 2016.

A explicação para isso, segundo o relatório, estaria no modelo freemium, que permite que o usuário compre um upgrade em um aplicativo baixado gratuitamente. Muito comum em games – a categoria mais popular nas lojas de aplicativos – esse modelo foi responsável por 65% da receita entre os 100 jogos mais baixados nos Estados Unidos no primeiro semestre do ano passado. No entanto, menos de 5% dos usuários de games gratuitos fazem compras depois de baixar o jogo.

Ainda assim, os desenvolvedores garantem que o resultado compensa, já que o modelo permite que a empresa receba uma receita constante de um mesmo usuário. “No início todo mundo achava que ia ganhar dinheiro vendendo aplicativo, mas hoje isso mudou. Certamente no futuro teremos que pensar em mais alternativas”, diz Redd.

O relatório da Aorta mostra ainda que o Google Play (loja de aplicativos para o sistema Android) deve ultrapassar em pouco tempo a Apple App Store (focada no sistema iOS) em número de aplicativos. O que não quer dizer que criar sistemas para os aparelhos da Apple vá se tornar de alguma forma desvantajoso. Segundo o estudo, a App Store, da Apple, é a loja com maior receita por usuário e, portanto, um investimento mais rentável para quem cria soluções para o consumidor final.

Como em todo mercado onde há grande concorrência, as oportunidades no ramo de aplicativos hoje estão nos nichos. Os negócios que não conseguem desenvolver algum tipo de inovação ou diferencial competitivo tendem a perder espaço. O relatório da Aorta mostra que os games e as redes sociais são os aplicativos mais utilizados pelos usuários, enquanto o uso dos sistemas voltados para compras, buscas e entretenimento é pequeno porque os usuários ainda não se sentem seguros em fazer essas operações pelo celular ou tablet.

Para Redd, é aí que estão as oportunidades. “As pessoas têm cada vez menos tempo e precisam de soluções para resolver as coisas com facilidade. Ao mesmo tempo, as empresas querem cada vez mais se relacionar com seus clientes pelo celular. Há muito espaço para soluções focadas em vendas, atendimento ao consumidor e tudo que facilite o relacionamento com o cliente”, diz o diretor da Aorta.

O mercado corporativo é hoje o principal foco da maioria das empresas que apostaram em aplicativos para smartphones. É o caso da FingerTips, que também faz parte da .Mobi. Tão logo Steve Jobs apresentou o primeiro iPhone para o mundo, Ricardo Longo se uniu a mais cinco amigos para criar empresa. Cada um investiu R$ 1 mil no negócio, que no primeiro ano faturou R$ 500 mil e em 2011 chegou a pouco mais de R$ 9 milhões.

Para Longo, histórias como a dele são cada vez mais difíceis de existir. “Desenvolver aplicativos é uma oportunidade para quem tem dinheiro, conhecimento sobre o setor, experiência em programação e boas ideias. Não cabem mais amadores como antigamente”, afirma.

O próprio empresário precisou inovar para conseguir manter sua empresa em funcionamento. A FingerTips entrou no mercado com um game, mas hoje também cria soluções para plataformas móveis, televisão e mídias sociais. “Os sistemas estão mais complexos e permitem que você faça coisas mais avançadas. Não dá mais para fazer aplicativo só por fazer. É necessário ter uma estratégia e foco bem definidos”, diz. Prova dessa profissionalização é que neste ano o Festival Internacional de Criatividade de Cannes criou até uma categoria específica para mobile.

Mas ainda há oportunidades não atendidas. Longo diz que faltam negócios especializados em games promocionais para o mercado corporativo e aplicativos para alterar ou otimizar processos nas empresas. Ele diz ainda que gostaria de ver surgir dentro do Brasil um novo Instagram (criado por um brasileiro, mas desenvolvido fora do País) ou um novo Angry Birds. “Para os bons desenvolvedores há espaço a ser explorado no desenvolvimento de soluções para o cliente final”, afirma.

A engenheira de produção Isabelle Goldfarb é uma das novatas do setor. Sócia-fundadora do Zurbb, site e aplicativo que diz em tempo real o que acontece em restaurantes, bares e baladas do Rio de Janeiro, ela apostou no modelo free-advertising, no qual sua receita dependerá de promoções patrocinadas por estabelecimentos parceiros.

Com mais de 7 mil usuários cadastrados em seis meses de operação, ela diz que o grande desafio é fazer seu produto obter relevância em meio a tantas opções disponíveis nas lojas de aplicativos. “O mercado é gigantesco e existe capital à disposição para negócios do gênero. A questão é que você concorre com muita gente pelo tempo do usuário e precisa encontrar um jeito de se destacar”, afirma. A estratégia da empreendedora é criar comunidades em torno de diversas cidades e estados do País – começando pelo Rio de Janeiro – para criar identificação entre os usuários. “É uma forte tendência mundial. As pessoas valorizam cada vez mais o regional, mesmo estando em um mundo global”, afirma.

Para sorte (ou azar) dos iniciantes, o relatório da Aorta mostra que os usuários estão continuamente em busca de novos aplicativos. O difícil é justamente conseguir retê-los por muito tempo. Um estudo da empresa Flurry Analytics aponta que três meses após baixar um aplicativo, 24% dos usuários continuam a utilizá-lo. Um ano depois, esse porcentual é de apenas 4%.

Publicado na Época Negócios, em 04/07/2012.

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