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12 de julho de 2012

Nokia tenta se reinventar nos EUA diante de vendas fracas

por innovacentro

Nas instalações requintadas de Sunnyvale, a empresa está tentando criar o tipo de cultura despojada que alçou muitas das suas concorrentes ao sucesso atual.

A Nokia Corp. está reinventando suas operações nos Estados Unidos num lugar que, alguns argumentariam, a combalida fabricante finlandesa de celulares deveria estar há anos: o Vale do Silício.

O local, ocupado há mais de um ano, também está próximo de uma população de desenvolvedores de aplicativos que têm optado pelo iPhone, da Apple Inc., e aparelhoes equipados com o software Android, da Google Inc.. A Nokia espera agora pode atrair mais aplicativos para o Windows, da Microsoft Corp., que ela vai usar na sua nova linha de smartphones Lumia.

Num recente dia de trabalho, desenvolvedores de software de outras firmas enchiam o espaçoso saguão e eram levados para salas de conferência com nomes como Pier 39 e Alcatraz.

A lanchonete no térreo vendia café selecionado e bifes orgânicos com molho mexicano, enquanto uma televisão passava o jogo de futebol entre a Inglaterra e a Ucrânia. Uma profusão de funcionários usava jeans e botas de caubói.

Se a abordagem da companhia parecer exagerada, pode ser por um bom motivo. A divisão da Nokia na América do Norte foi durante anos sediada em White Plains, no Estado de Nova York, longe de onde as inovações mais importantes do setor estavam acontecendo.

Quando a empresa perdeu o seu domínio nos EUA, foi principalmente para os produtos da Apple, cuja sede fica em Cupertino, Califórnia, bem no centro nervoso da tecnologia, do outro lado do país.

Os resultados desta desconexão foram devastadores. Em 2003, a venda de celulares da Nokia na América do Norte chegou à marca dos 32,4 milhões, quase 20% do seu volume mundial.

Já em 2011, depois de praticamente ter saído do mercado por falta de competitividade tecnológica, a empresa vendeu 3,9 milhões de dispositivos móveis, menos de 1% de suas vendas mundiais.

A queda diminuiu um pouco desde o lançamento dos aparelhos Lumia na gestão do diretor-presidente Stephen Elop, através das operadoras T-Mobile USA e AT&T Inc., respectivamente em janeiro e abril.

A Nokia vendeu 600.000 dispositivos móveis na América do Norte durante o primeiro trimestre, contra 500.000 no quarto trimestre do ano anterior. A receita com esses dispositivos, enquanto isso, cresceu 75% na comparação trimestre a trimestre, graças a preços mais altos.

Ainda assim, as vendas na América do Norte representaram apenas 2% do total mundial nos primeiros três meses deste ano.

Matt Rothschild, diretor de varejo e operações de vendas, disse ao The Wall Street Journal que a relocação deu aos funcionários uma “mentalidade de empresa iniciante e aberta a desafios”, no mercado crítico dos EUA. Rothschild recentemente alavancou esse entusiasmo ao criar o “Exército Nokia”.

Seguindo essa iniciativa, mais de 1.000 empregados da América do Norte se inscreveram para ir vender telefones Nokia em lojas como uma da AT&T em um shopping center. O movimento se estendeu de Tuscaloosa, no Alabama, a Chicago.

Os empregados geralmente levam comida e café, e procuram se integrar com o pessoal de vendas e interagir com compradores potenciais dos telefones. As conversas muitas vezes versam sobre os aplicativos da Nokia, como o seu sistema de navegação, que vem gratuito com o telefone.

Em algumas lojas, como uma da T-Mobile nas proximidades, empregados da Nokia descobririam que seus novos smartphones Lumia 710 já haviam sido tirados das prateleiras principais, apesar de ser um produto relativamente novo no mercado. Nessa loja, os telefones da Samsung Electronics Co. e da HTC Corp. ganham os lugares mais visíveis.

Os executivos da Nokia não precisam ir muito longe para encontrar pessoas com pouco interesse nos novos telefones da companhia.

No shopping center Westfield Valley Fair, em Santa Clara, a cerca de 15 quilômetros de Sunnyvale, Jonathan Lamb estava com seus amigos numa fila do lado de fora da nova loja da Microsoft, armado para uma batalha.

O estudante de 18 anos tinha com ele o seu iPhone e se preparava para participar do jogo de marketing da loja. Se ele conseguisse provar que seu celular era mais rápido do que o novo Lumia 900 da Nokia, que usa o sistema operacional Windows, ele ganharia US$ 1.000.

Apesar de compreender que não seria páreo para o celular da Nokia – “em matéria de desempenho o Nokia é extremamente rápido” – ele não estava nem um pouco interessado em abandonar seu iPhone.

O aparelho dele, diz Lamb, é fácil de navegar, tem mais aplicativos prontamente disponíveis e oferece mais pelo seu preço. O celular com Windows, por outro lado, “dá sono”.

Kulvinder Hummel, que tem 39 anos e mora em Santa Cruz, Califórnia, está por seu lado ponderando se quer mudar para um smartphone depois de anos usando um Motorola Razr. Ela pensou no iPhone e no Lumia da Nokia, mas estava bastante inclinada na direção do produto da Apple.

“Se eu decidir comprar como todo mundo está fazendo, acho que decididamente o iPhone é a opção mais segura,” disse ela.

Hummel tem medo de que a tecnologia Windows decepcione pois se lembra da tentativa débil da Microsoft de desbancar o iPod da Apple com o seu aparelho portátil Zune de música digital.

Rothschild, um australiano com 14 anos de Nokia, fez recentemente a sua própria incursão no novo “Exército” da empresa, decidindo cancelar um voo de Dallas para Atlanta e em vez disso dirigir por vários Estados. Em sua primeira parada trouxe para a loja pães doces.

Ele também está recebendo desenvolvedores na sede da empresa em Sunnyvale. No fim de semana passado, por exemplo, ele recebeu o diretor-presidente de uma companhia de tecnologia para golfe, chamada Caddy Plus, para discutir a visibilidade de um aplicativo no ecossistema Nokia/Microsoft.

Como parte de um foco intensificado no Vale do Silício, a Nokia também fez mudanças no seu conselho de administração, nomeando há pouco tempo uma diretora de fora da empresa com muitos contatos no Vale. Elizabeth Nelson, uma ex-diretora financeira da Macromedia, foi eleita para o conselho da Nokia durante a assembleia geral de acionistas de 3 de maio. A Macromedia, uma empresa de desenvolvimento de software para a internet, foi adquirida pela Adobe Systems Inc. em 2005. Nelson passou oito anos na Hewlett-Packard Co. antes de entrar na Macromedia.

A Nokia escolheu Nelson – agora uma conselheira profissional cujas passagens por conselhos incluem o da Autodesk Inc. – em parte porque queria ter uma presença maior na costa oeste, e porque os EUA “são um mercado muito importante para a Nokia”, lembrou Will Dawkins, da Spencer Stuart, que cuidou da contratação. (Colaborou Joann Lublin.) Publicado no Valor Econômico, em 22/06/2012.

 

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