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6 de junho de 2012

“Não é preciso ter um Steve Jobs na equipe”

por innovacentro

Pesquisador italiano propõe método que pode transformar qualquer profissional em inovador.

Steve Jobs pode ser um péssimo exemplo. Se usado como referência, fica fácil justificar o desempenho de uma empresa que mantém anos a fio um desempenho mediano, sem grandes criações. Afinal, todos podem alegar que não têm culpa por não ter nascido genial ou por não ter encontrado um gênio para integrar sua equipe – e garantir a produção de boas ideias em série.

Para esse tipo de argumento o livro do pesquisador italiano Roberto Verganti funciona como antídoto. Professor de Gestão da Inovação na Politécnica de Milão e professor convidado da Harvard Business School e da Copenhagen Business School, ele investigou o tema por mais de 20 anos e aplica seu método em empresas como Ferrari, Volvo, Barilla, Nestlé e Unilever. No Brasil para lançar o livro Design-driven innovation (Mudando as regras da competição: a inovação radical do significado de produtos) e expor o conceito para representantes de corporações como AmBev, BRF Brasil Foods, DuPont, entre outras. Quem fez a ponte Itália-Brasil e se encarrega de difundir a metodologia nas empresas brasileiras é a consultoria Pieracciani Desenvolvimento de Empresas.

Em sua apresentação, Verganti conta histórias que retratam turnning points de grandes empresas e citou uma frase do filme de animação francesa Ratatouille. “No filme, o crítico gastronômico diz que não é qualquer um que pode ser um grande chef. Mas um grande chef pode vir de qualquer lugar. Da mesma forma, qualquer um PODE ser um inovador, o que não significa que qualquer um SEJA um inovador”, afirma.

Para encerrar o abismo que há entre uma coisa e outra, a proposta de Verganti se apóia em um tripé: escutar, interpretar e difundir. Na prática, isso significa identificar pessoas ao redor de sua empresa, que trabalhem com o mesmo público-alvo, porém por outra perspectiva, fabricando outro tipo de produto. Essas pessoas, que ele chama de intérpretes, podem ser aliados na missão de ver o mesmo cenário sob uma nova iluminação. A grande sacada aqui é encontrar, identificar e saber transformar em um resultado palpável a percepção de alguém que ajude o profissional a sair da zona de conforto, do ciclo vicioso da rotina, e criar um novo modo de pensar.

Como exemplo, Verganti conta a história da marca de massas Barilla, que, para inovar, chamou um fabricante de móveis para cozinhas – ao invés do caminho óbvio, que seria consultar um chef. “O fabricante de móveis lida com o mesmo contexto: de pessoas que se gostam, reunidas em um ambiente agradável, em volta da mesa, para cozinhar e comer”, diz.

Verganti também fala à Época NEGÓCIOS sobre o risco de não correr riscos. “Se uma empresa não muda, o mundo muda e ela não será bem-sucedida de qualquer forma. Porque o seu modelo fica antigo em um mundo novo”.

Qualquer um que tenha uma boa ideia pode se tornar um inovador?
Ter boas ideias não é difícil hoje em dia. Mas o que estou propondo é um processo, direções que você pode seguir para conseguir olhar o mesmo contexto por uma nova perspectiva. Qualquer um que desenvolver a capacidade de olhar para as pessoas ao redor, reconhecer os intérpretes, estiver atento, pode se tornar um inovador.

Não é necessário ter um Steve Jobs na empresa para se ter uma grande ideia?
Não, não é preciso ter um Steve Jobs na equipe. Claro que, dentro de uma empresa, o grande administrador será sempre o grande administrador. Não existem substitutos para pessoas. O importante é treinar a si mesmo para ser um líder melhor, conversar com outras pessoas. Quando falamos em inovação, pessoas fazem a diferença.

Qual a principal ferramenta para se conseguir inovar?
Network. É na rede de comunicação que se encontram pessoas com outro ponto de vista sobre o seu negócio.

Por que inovar parece ser difícil para algumas empresas?
Por muitas razões. Uma delas é que as empresas não querem correr riscos. Mas nós vivemos em um mundo em que o risco sempre existe. Há riscos também em não mudar. O problema das empresas bem-sucedidas é se sentir confortável. Se você está bem, é claro que não quer mudar. O problema é que se não muda, o mundo muda e você não será bem-sucedido de qualquer forma. Porque o seu modelo fica antigo em um mundo novo.

O caminho que você propõe lembra um pouco o olhar filosófico, de questionar para desconstruir conceitos. A partir daí, as empresas podem chegar a resultados inusitados?
Sim, filosofia trata dos porquês, assim como a abordagem sobre a qual falo no livro. Ela é acessível a qualquer empresa. Não depende do tamanho da companhia nem do serviço que presta. Trata-se de simplesmente pensar, imaginar, olhar sob outro ponto de vista, para inovar sem que seja necessário um grande cenário ou investimento.

Você acredita que o Brasil esteja preparado para esse método de inovação?
Sim. Porque para competir globalmente, hoje em dia, apenas tecnologia não é suficiente. Nos países latinos, como o Brasil, sabemos o que significa atribuir significado às coisas, falar de emoções. Muito mais do que para americanos, que têm dificuldade em pensar nesse conceito, ou europeus, que ainda estão dormindo.Publicado no Época Negócios, em 04/06/2012.

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