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16 de abril de 2012

Uma seleção dos sonhos em estratégia e inovação

por innovacentro

Nos últimos anos venho me dedicando ao desenvolvimento da gestão da inovação em grandes empresas. É uma missão que mobiliza cada vez mais  pessoas e organizações. O trabalho tem sido desafiador. Incorporar uma nova mentalidade, processos, sistemas e práticas não é tarefa fácil, ainda mais quando lidamos com empresas de sucesso estimulando algo incerto, que não tem retorno garantido (como se alguma coisa tivesse!).

Em nossos programas de treinamento de executivos compartilhamos ideias e modelos de nossa autoria e, também, aqueles desenvolvidos por pensadores que nos influenciaram. Recentemente recebi um e-mail questionando quem seriam os autores que eu recomendaria.

Decidi fazer essa reflexão enquanto esperava o início do jogo do meu time de futebol. Como todo brasileiro é um técnico de futebol, emergiu uma seleção de onze pensadores, pesquisadores, consultores e professores top de linha na área de estratégia e inovação.

Alguns são mais polivalentes, outros especialistas em suas funções. Saiba mais sobre cada craque:

1. Clayton Christensen foi recentemente escolhido o melhor pensador de negócios do mundo. No meu time ele seria o camisa 10, o cérebro da equipe. Criador dos conceitos de Inovação de Ruptura. Christensen é um dos pesquisadores mais pragmáticos e sólidos do campo da gestão. Conheci o livro O Dilema da Inovação e sua sequencia com A Solução do Inovador e mais recentemente o DNA do Inovador. Sua obra tem integração conceitual com aplicação prática. A ideia de como as empresas estabelecidas tem dificuldade de lidar com a inovação de ruptura é fantástica e atual.

2.e 3. Gary Hamel é o criador, junto com CK Prahalad da noção de “competência essencial”. Para os autores, as empresas deveriam focar naquilo que sabem fazer, é raro e difícil de imitar. Professor visitante da London Business School e fundador do MLab – Laboratório de Inovação em Gestão, tive o privilégio de participar de um  workshop com Hamel em 2001. Hamel é acima de tudo um provocador. Intenso. Global. Para uma leitura acadêmica sugiro o artigo Strategy as Revolution. Para uma abordagem mais gerencial o livro Liderando a Revolução é a pedida. Hamel seria o centromédio do time. Marcando. Pressionando. Sempre. Prahalad, a quem também tive a oportunidade de assistir ao vivo é o defensor da ideia de aproveitar os consumidores “base da pirâmide”.  Seria meu grande goleiro.

4.e 5. W Chan Kim e Renee Mauborgne. É difícil separa-los. Criadores do conceito de Oceano Azul e professores do INSEAD na França. Nessa seleção de craques seriam dois laterais que apoiam o tempo todo buscando novas oportunidades em espaços vazios. Utilizei muito suas ideias em minha dissertação de mestrado, especialmente a noção de reduzir a ênfase concorrencial do pensamento estratégico e suas ferramentas como a Curva de Estratégia. Os autores conseguiram conectar o pensamento estratégico com o tema da inovação em uma linguagem acessível que ganhou o mundo com o livro Blue Ocean Strategy.

6.Constantinos Markides não é tão famoso mas nem por isso menos relevante. Suas ideias foram decisivas para mim na conexão entre inovação e estratégia. A facilidade com que define, relata e prescreve caminhos é singular. Tem cara e perfil de centroavante. Aquele que facilita e põe a bola para dentro. Professor da London Business School, recomendo o artigo “Strategic Innovation” e o livro All the Right Moves que sintetiza muito bem sua visão sobre o tema. Um elemento que me marcou de sua obra foi a noção de processo de estratégia como experimentação e a necessidade do ambiente organizacional adequado para sua execução.

7.Peter Drucker, o pai da administração moderna, tem marcado em sua ampla contribuição com o universo da gestão um capitulo especial sobre inovação e estratégia. Segundo Drucker a administração “é marketing e inovação; o resto, custo”. O artigo The Discipline of Innovation é um clássico que destaca entre outras fontes de inovação, as mudanças demográficas, algo bastante contemporâneo no Brasil. Sobre estratégia, sua visão de estratégia como a “teoria do negócio” impuseram o entendimento do caráter dinâmico das escolhas estratégicas e sua imprevisibilidade. Conheci  as ideias de Drucker no início da faculdade de administração. Líder. Versátil como aquele volante que sai para o jogo com qualidade.

8.Vijay Govindarajan é o pensador indiano mais influente no campo da estratégia e inovação. Gostei muito de seu trabalho sobre execução da inovação com especial atenção a escolha da estrutura organizacional mais adequada. Me influenciou um artigo publicado na MIT/Sloan Management Review sobre como aprender com experimentos estratégicos. Merece leitura. Decisivo para gestão de projetos inovadores. Sabe aquele zagueiro firme e direto? Vijay.

9.Rita McGrath é professora da Columbia Business School e disseminadora do conceito de Discovery Driven Planning na qual defende que a gestão de projetos inovadores é absolutamente distinta da gestão da rotina do dia a dia. Segundo a autora tais projetos tem um alto nível de incerteza o que demanda uma abordagem de descoberta e não de execução. A professora seria uma atacante rápida para descobrir novos espaços. McGrath também escreve um ótimo blog na Harvard Business Review.

10.Mohan Sahwney é professor de tecnologia na Kellogg School of Management. Seu artigo das 12 different ways for companies to innovate no qual introduz o Radar da inovação tem influenciado nossa visão de inovação na Innoscience, desde o inicio da consultoria. A ferramenta é muito útil tanto para o diagnostico como para definição da estratégia de inovação. Em nosso livro Gestão da Inovação na Prática baseamos nosso capitulo de Tipos de Inovação no framework do Prof. Sahwney. Não há visão mais abrangente e integradora. Visão de quem vê o campo todo. Visão de zagueiro, claro.

11.Scott Anthony é o diretor da consultoria Innosight fundada por Clay Christensen. Aplica as técnicas de como lidar com as inovações de ruptura. Conheci o trabalho de Scott a partir dos livros de Christensen. O livro The Innovator’s Guide to Growth é sensacional. Tem nos influenciado muito sua abordagem de consultoria e as noções de como “shapear” uma ideia usando a experimentação para aprender rápido, com baixo custo e alta contribuição estratégica. O blog que ele escreve na Harvard Business Review tem, além de todo o conteúdo de inovação, uma rara capacidade de conecta-lo com temas do dia a dia numa linguagem envolvente. Nesse time ele seria um atacante de velocidade tentando experimentar novas abordagens de ataque.

 

A minha visão sobre inovação e estratégia foi decisivamente influenciada pelas ideias desse time. Suas inquietudes, reflexões e impetuosidade continuam sendo alavancas para me oxigenar sobre como auxiliar as empresas no desafio de inovar sistematicamente.

Formar uma seleção de todos os tempos, em qualquer área do conhecimento, é um desafio. Sem dúvida deve ter ficado algum craque de fora. Aguardo sugestões para novas convocações!

O maior agradecimento é seguir buscando aplicar as ideias desses craques e influenciar a comunidade empresarial a adotar a inovação de forma gerenciada para podermos melhorar o desempenho das empresas e a vida das pessoas.

A melhor forma de torcer pelo time!

Publicado no Blog 3M de Inovação em 09/04/2012 (por Maximiliago Carlomagno)

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