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28 de fevereiro de 2012

O especialista em inovação Maximiliano Carlomagno é o novo entrevistado da Seção Impressão

por innovacentro

Transformar ideias novas em resultado. Este é o real conceito de inovação para o especialista no tema, Maximiliano Carlomagno, um dos palestrantes do Congresso ABIPTI 2012, que acontece entre os dias 14 e 16 de agosto, em Brasília (DF). Durante o encontro, que está com as inscrições abertas (http://www.abipti.org.br/congresso2012/inscricao.html) e 20% de desconto até o dia 30 de abril, Carlomagno acenderá o debate sobre “Os desafios para a inovação no Brasil”.

     Com mais de 10 anos de experiência como executivo e consultor nas áreas de estratégia e inovação, Carlomagno é mestre em administração e negócios pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), com formação de extensão na Universidade da Califórnia, em Berkeley, e Sloan School/MIT, em Cambridge, Massachussets, EUA. Professor de graduação e MBA e sócio-fundador da consultoria especializada em gestão da inovação Innoscience, Carlomagno também é colunista do jornal Brasil Econômico e do site de inovação da 3M, além de autor do livro “Gestão da Inovação na Prática”.

     O especialista aponta que há evidências de que as empresas perceberam que não têm todas as competências para inovar sozinhas e que precisam de apoio. Ele também frisa que o melhor momento para mudar é quando as coisas vão bem, contrariando a máxima do senso comum de que “time que está ganhando não se mexe”. Em entrevista exclusiva para o Gestão C&T online, Carlomagno fala ainda sobre o papel dos institutos de pesquisa nesse contexto.

     Em sua opinião, qual o real significado da palavra “inovação”?

     Monetização da criatividade. Novidade + Resultado. Inovar é transformar ideias novas em resultado. Se for novo, mas não gerar resultado, não é inovação. É invenção. Se gerar resultado, mas não houver novidade, é melhoria ou adequação.

     Poderia citar quais são os principais desafios para a inovação no Brasil?

     Dividiria em desafios estruturais e gerenciais. Os estruturais referem-se ao arcabouço legal, ambiente institucional e macroeconômico. Evoluímos, mas ainda há um importante caminho a ser trilhado para tornar o Brasil um espaço aberto para a inovação. Particularmente entendemos que o empresário deve ficar atento aos desafios gerenciais. Eles envolvem mudança de mentalidade, processos internos, cultura e alocação de recursos.

     Por mais que o ambiente externo tenha impacto na empresa, o seu desempenho é definido pelas escolhas estratégicas que cada organização faz. Nesse sentido, percebemos que as empresas brasileiras ainda carecem de um melhor entendimento do que é inovação e como colocá-la em prática.

     A ABIPTI representa 188 entidades de pesquisa, desenvolvimento e inovação (EPDIs), e boa parte são institutos de pesquisa. Em sua opinião, qual a importância desse segmento no contexto da inovação?

     Consolida-se a visão de inovação aberta na qual as empresas colaboram com os demais agentes da sociedade para melhorar a produtividade da inovação. Apenas como exemplo, em recente pesquisa que realizamos junto com o Instituto Euvaldo Lodi, no Rio Grande do Sul (IEL-RS), no 4° Congresso Internacional de Inovação, houve um aumento significativo de empresas que responderam que suas fontes de inovação se descentralizaram.

     As universidades sairiam de 10% dos respondentes em 2010 para 19% em 2011. Os fornecedores cresceram de 5% para 11%. Há evidências de que as empresas perceberam que não têm todas as competências para inovar sozinhas e que precisam de apoio. Resta que este apoio esteja estruturado e que haja mecanismos bem estabelecidos de governança de tais relações.

     Tem ocorrido por parte do setor produtivo mais interesse em inovar?

     Sim. Uma pesquisa que realizamos em 2010 sobre o tema destacou que a inovação é prioridade para 91% dos executivos. Esse interesse se dá em função do acirramento da competição e da dificuldade de melhorar significativamente o desempenho da organização com os remédios usuais. Além disso, as empresas que inovam têm apresentado esse desempenho superior que tanto atrai os executivos e investidores.

     Em 2011, elaboramos um índice de inovação chamado 3i que mediu o desempenho das 31 empresas brasileiras mais inovadoras de capital aberto (com ações negociadas na bolsa). Comparamos a valorização das ações destas empresas com o Índice Bovespa (Ibovespa) desde 2005. No período, a carteira das mais inovadoras performou 88 p.p acima do Ibovespa.

     Quais são as principais conseqüências para as empresas que não inovam?

     É importante frisar que cada setor tem uma dinâmica própria de concorrência. Mas uma análise do índice S&P das maiores empresas de capital aberto nos Estados Unidos mostra que é cada vez menor o tempo de permanência das grandes empresas no índice. Aquelas que não inovam perdem relevância ou são adquiridas.

     Também cabe ressaltar que há diferentes tipos de inovação e que as prioridades de onde inovar devem ser alinhadas com a estratégia de negócio de cada empresa. Cada setor é um setor. Contudo, de diferentes formas percebemos que quem não inova acaba estagnando e perde competitividade.

     Os exemplos atuais mais emblemáticos são os da Kodak e da Blockbuster, ícones americanos com atuação global que foram suplantadas por empresas que inovaram. O mais interessante é que essas empresas até tiveram as ideias necessárias para se renovar, mas não houve o suporte para essa transformação.

     De que maneira os institutos de pesquisa podem contribuir para a inovação?

     Entendemos que as empresas percorrem uma curva de maturidade da inovação. Começam tomando consciência da importância disso; passam a compreender e dominar o tema; estabelecem uma estratégia de onde inovar para então definir um processo, criar um ambiente e gerenciar essas práticas. Os institutos de pesquisa podem alinhar sua contribuição a esses diferentes estágios com serviços que visem a aceleração dessa trajetória. De forma mais pontual entendo que podem ser um parceiro para prover insights, apoiar iniciativas de inovação aberta e co-criação, disponibilizando conhecimento, espaço e instrumentos para colaborar.

     Qual o primeiro passo para inovar? Por onde começar? Existem organizações que são conservadoras e sentem medo de mudanças. Como alterar esse quadro?

     O primeiro passo, em nosso entendimento, é um alinhamento da alta gestão sobre: o que é inovação para a empresa; qual o papel da inovação na estratégia de negócios da empresa; e onde a empresa quer inovar. A partir daí pode ser feito um processo de sensibilização dos colaboradores e a definição do processo de geração e avaliação das oportunidades. É natural que algumas empresas sejam mais conservadoras. Mas há que se buscar na própria história da organização casos de projetos que a auxiliaram a dar os saltos que a trouxeram até o estágio atual.

     É importante frisar que o melhor momento para mudar é quando as coisas vão bem, contrariando a máxima do senso comum de que “time que está ganhando não se mexe”. É nesse momento que há tempo e recursos para mudar. Quando a empresa enfrenta uma crise a inovação passa a ser uma salvação e sua gestão fica mais desafiadora.

     Poderia nos dar dicas e exemplos de pequenas mudanças inovadoras que podem trazer bons resultados, principalmente voltados para institutos de pesquisa?

     Da mesma forma que um médico precisa fazer o diagnóstico do paciente para prescrever a melhor alternativa de tratamento é importante compreender que as soluções de inovação não podem ser remédios genéricos. É fundamental entender a realidade do instituto de pesquisa, seus objetivos e sua estratégia para prover recomendações adequadas.

     Poderia nos dar exemplos de casos de sucesso em inovação?

     Temos no Brasil grandes empresas inovadoras. No setor de cosméticos destacaria a Natura e o Grupo O Boticário. No segmento de construção civil ressaltaria a Tecnisa que aproveita muito bem as redes sociais e o relacionamento com os clientes e fornecedores para inovar.

     A White Martins, empresa do grupo Praxair, é uma multinacional do setor de gases que foi classificada como um das empresas mais inovadoras do Brasil. Ela tem desenvolvido iniciativas consistentes nos últimos anos. Não poderíamos deixar de citar também a Embraer, referência global em jatos de médio porte reconhecida como uma das empresas mais inovadoras do mundo. 

     Também há um conjunto de novas empresas que, com a inovação, têm crescido em mercados muito competitivos, como a corretora de ações XP Investimentos, a varejista de óculos, relógios e acessórios Chili Beans, além da Cacau Show e do Habibs, ambas do segmento alimentício. 

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