Pular para o conteúdo

17 de fevereiro de 2012

Vale a pena investir em P&D?

por innovacentro

 Uma das notícias marcantes do início do ano foi o anúncio das dificuldades de caixa e o pedido de proteção contra falência da Eastman Kodak, tradicional empresa da indústria da fotografia.

Segundo especialistas, a empresa, que um dia já foi a número 1 em filme não conseguiu fazer a transição para o mundo digital.

Na década de 90, chegou a ter participação de mercado de 85% nos Estados Unidos e contar com quase 100 mil colaboradores.

O caso da Kodak é muito interessante, pois a empresa sempre investiu muito em pesquisa e desenvolvimento, inovando muito ao longo de sua história.

Filmes coloridos produzidos em escala comercial, o carrossel de slides e a própria câmera digital foram algumas de suas criações ao longo dos 125 anos de história.

Por incrível que pareça, as câmeras fotográficas digitais, consideradas como a principal causa da derrocada da empresa, foram criação da própria Kodak – isso foi na metade da década de 70, quando as máquinas convencionais e consequentemente os filmes fotográficos representavam boa parcela dos lucros da companhia.

Somente em 2003 a Kodak tentou entrar com mais força nas máquinas digitais, mas concorrentes japoneses já haviam se posicionado e dominavam esse mercado.

O fato é que, apesar de investir em pesquisa, a Kodak nem sempre soube transformar essas novidades em mais do que patentes.

Hoje a empresa detém uma grande quantidade delas, porém a estratégia era pesquisar, proteger e licenciar para outras companhias aquilo que estivesse fora do negócio de filmes.

Com essa lógica, boas oportunidades se perderam e, mais do que isso, boa parte das pesquisas se concentravam um mercado em decadência (o de filmes fotográficos).

Era mais ou menos como seguir pesquisando e patenteando uma nova máquina de escrever, quando o mercado todo migrava para computadores pessoais.

Dado tudo isso, fica a pergunta: vale a pena investir em pesquisa e desenvolvimento? Mensalmente acompanhamos um conjunto de empresas brasileiras consideradas inovadoras e que possuem papeis listados na Bovespa.

Essa carteira, composta por 31 empresas que obtiveram algum tipo de reconhecimento público (premiação) em relação à inovação por publicações especializadas, forma o que chamamos de 3i (índice de inovação Innoscience).

O resumo de 2011 é o seguinte: a carteira do 3i fechou o ano com desvalorização de 6,84% enquanto o Ibovespa desvalorizou 18,1%.

Desde 2007 a carteira das inovadoras valorizou 215%, o que equivale a 88 pontos percentuais acima do Ibovespa no período.

A resposta a pergunta acima é: claro que vale a pena investir em pesquisa e desenvolvimento, desde que essa atividade esteja alinhada à estratégia da empresa e, sobretudo, ao mercado.

Dizem que um dos maiores problemas do modelo brasileiro de pesquisa das universidades é a dificuldade de transformar em riqueza o conhecimento gerado, além de uma orientação voltada à publicação e patentes ao invés de buscar novas oportunidades de crescimento.

Acredito que a lógica é a mesma quando falamos do meio empresarial.

Aquelas que conseguem transformar seus esforços de P&D em inovação certamente colhem melhores resultados e conseguem manter-se competitivas no mercado.

Publicao no site Brasil Econômico em 17/02/2012 (por Felipe Scherer)

Anúncios
Leia mais de Notícias

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Observação: HTML é permitido. Seu endereço de e-mail nunca será publicado.

Assinar os comentários

%d blogueiros gostam disto: