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8 de dezembro de 2011

É possível inovar e ser sustentável, diz Amyr Klink

por innovacentro

Navegador tira lições da simplicidade e eficiência dos barcos de pesca e jangadas do Nordeste e das rotas marítimas do descobrimento

Autor de façanhas inusitadas, como atravessar o oceano Atlântico num barco a remo e permanecer solitário durante 15 meses no continente antártico, Amyr Klink pode ser considerado especialista em gerenciamento de riscos. Todos bem calculados, deixa bem claro o navegador.

Às vésperas de iniciar a sua quadragésima expedição à Antártica, Amyr ministrou a palestra A Sustentabilidade como Elemento Propulsor da Competitividade, no último dia do Fórum Sebrae do Conhecimento, ação que a instituição promoveu em Brasília (DF), de 16 a 18 e novembro. Klink apresentou exemplos e relatos das viagens que fez para exemplificar como é possível inovar utilizando meios sustentáveis.

Ele disse que viajou bastante com o propósito de testar coisas novas, encontrar novas soluções, navegando em embarcações concebidas, desenvolvidas e construídas no Brasil. O Paratii2, barco com o qual ele ficou 15 meses na Antártica, tem autonomia para dois anos e meio sem reabastecimento, “Mergulho de cabeça no ideal de fazer o melhor. É por isso que temos feito os melhores barcos do mundo para altas latitudes”, observa.

Nesse sentido, ele explica que não basta ser criativo. A ideia pode não ser viável. “Muitas vezes a inovação está diante dos nossos olhos e a gente não vê”, acrescentou. Ele confessou que aprendeu muito sobre navegação percebendo a simplicidade e a eficiência dos barcos de pesca e jangadas no nordeste brasileiro. “O Brasil tem mais de 350 tipos de embarcações diferentes, com design próprio, para cada tipo de situação. Isso é fantástico”, comenta. Ele revela também que a observação das rotas empreendidas pelos portugueses o ensinou muito. “Eles desenvolveram uma técnica de navegação que até hoje é inovadora”, relata. Para Klink, a descoberta do Brasil foi uma experiência de conhecimento, traçada bem antes da chegada de Cabral, “que só veio oficializar a descoberta”.

Na sua casa em Parati (RJ), “feita a mão”, faz questão de ressaltar, Amyr pratica todas as variáveis da sustentabilidade. A casa não tem energia elétrica e nenhum conforto do chamado mundo moderno. Seu acesso é feito exclusivamente pelo mar. “Levo 40 minutos em um barco a remo para chegar ao Banco do Brasil”, comemora. Entre seus maiores desejos, ele conta que tinha a pretensão de ser o dono do tempo, experiência que abortou quando, nos 15 meses que passou na Antártica, teve que se ocupar de todas as funções sozinho. “Eu tinha que cozinhar, lavar, cuidar do barco, transformar gelo em água potável. Descobri que não tinha tempo para nada”.

Atualmente, Amyr mantém um estaleiro em Itapevi (SP), onde coloca o seu conhecimento na construção de barcos inovadores. “Percebi que o aspecto social é mais importante do que o financeiro. Formando mão de obra especializada, sinto orgulho do que faço”, conclui. A história completa das viagens do administrador e economista Amyr Klink está nos livros que escreveu, como Cem Dias entre Céu e Mar, Paratii Entre Dois Polos e Linha d’Água.

 
Publicado em Pequenas Empresas & Grandes Negócios em 18/11/2011.
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