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28 de novembro de 2011

Pfizer vira farmácia para manter vendas do Lípitor

por innovacentro

A farmacêutica Pfizer Inc. resolveu se aventurar no varejo.

Numa tentativa de manter as vendas do remédio anticolesterol Lípitor depois que perder a patente, no fim do mês, a Pfizer planeja vender as pílulas a preço de genérico diretamente aos pacientes. Se for bem-sucedida, a empreitada arriscada pode reescrever as regras do jogo do setor para a venda de remédios.

O Lípitor, o remédio mais vendido de todos os tempos, rendeu à Pfizer um faturamento de mais de US$ 81 bilhões desde que foi lançado, em 1997, segundo a IMS Health. No seu auge, mais de 11 milhões de pessoas tomavam a pílula somente nos Estados Unidos, afirma a Kluwer Pharma Solutions, outra firma de dados sobre o sistema de saúde. Mas quando a patente da droga vencer, em 30 de novembro, a maioria dos pacientes deve trocá-la por versões genéricas mais baratas.

Para conter esse êxodo, a Pfizer fechou uma parceria com a Diplomat Specialty Pharmacy, de Flint, no Estado de Michigan, para enviar o Lípitor pelo correio a pacientes que pedirem o remédio diretamente pela rede de farmácias. A Diplomat então enviará a conta para o plano de saúde dos pacientes. Os planos que fecharem acordo com a Pfizer pagarão pelo Lípitor apenas o preço do genérico, enquanto os planos que não tiverem contrato terão que pagar mais caro.

“Eles estão criando uma farmácia Pfizer, se você quiser ver sob esse ponto de vista”, disse Everett Neville, vice-presidente de estratégia farmacêutica e contratos da Express Scripts Inc., uma das maiores empresas de administração de benefícios de receita médica nos Estados Unidos. Isso é algo que nenhuma farmacêutica americana “já fez até hoje”, disse ele.

A tentativa é parte de uma iniciativa maior da Pfizer para conseguir mais receita de seu remédio campeão de vendas, que está envelhecendo. A empresa está oferecendo o Lípitor aos planos de saúde americanos a preço de genérico pelos primeiros 180 dias após o fim da patente se os planos venderem a sua versão em vez de outra sem marca.

Para o longo prazo, a Pfizer está impulsionando as vendas em mercados emergentes de rápido crescimento, como a China, onde a farmacêutica aposta que cada vez mais pessoas diagnosticadas com colesterol alto vão pagar mais por uma versão “genérica de marca” do que as cópias mais baratas sem nome conhecido.

O esforço pode criar um novo caminho para a venda de remédios com receita, que não seja mais limitada pelos 20 anos de proteção da patente e por uma lei americana de 1984 que tentou reduzir os custos com medicamentos, autorizando a venda de genéricos depois do fim da patente.

“Antes, as farmacêuticas costumavam abandonar os remédios mais vendidos quando a patente expirava, disse em uma entrevista ao The Wall Street Journal Ian Read, diretor-presidente da Pfizer. “Agora temos uma cultura totalmente diferente”.

O Lípitor sem proteção de patente deve render à Pfizer

US$ 3,8 bilhões em vendas mundiais no próximo ano, estima Catherine Arnold, analista do Credit Suisse. É bem distante dos

US$ 13 bilhões que o remédio faturou por ano no auge. Mas ainda seria um dos cinco produtos mais vendidos da empresa.

A gigante farmacêutica francesa Sanofi SA também espera obter um faturamento mundial de US$ 1 bilhão com seu anticoagulante Plavix — que já chegou a faturar US$ 9 bilhões — depois que perder a exclusividade da patente nos Estados Unidos, em maio. “Todas essas marcas continuam existindo”, disse ao The Wall Street Journal o diretor-presidente da Sanofi, Christopher Viehbacher.

A iniciativa da Pfizer atraiu algumas críticas. Há quem tema que acordos como esses acabem aumentando o custo da saúde se os pacientes continuarem tomando o Lípitor com a marca da Pfizer.

“Se você mantém mais pessoas usando o remédio com marca, isso aumenta significativa o custo no longo prazo”, disse Wells Wilkinson, diretor do Projeto de Acesso a Processos Judiciais em Receitas Médicas, da ONG Community Catalyst, que abriu um processo contra práticas da indústria de saúde que ela alega que aumentam os gastos. Ele expressou temor de que o preço dos genéricos possa cair nos primeiros meses no mercado e mesmo assim os planos de saúde fecharão acordo para continuar pagando um preço com desconto, mas ainda mais alto, pelo remédio de marca.

A Pfizer decidiu contra-atacar os genéricos nos Estados Unidos depois de estudar como a Merck & Co. (MSD, no Brasil) vendeu seu próprio remédio para colesterol, o Zocor, a um preço menor por um determinado período.

Além disso, a Pfizer continua investindo pesado no marketing do Lípitor, investindo US$ 659 milhões nos últimos doze meses, segundo a Cegedim Strategic Data.

Publicado no The Wall Street Journal em 23/11/2011 (por Jonathan D. Rockoff)

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