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18 de novembro de 2011

Por que algumas empresas não inovam?

por innovacentro

 Certa vez, um empresário ligado ao ramo da saúde definiu a inovação como sendo um gene recessivo dentro das organizações.

Lembrando das aulas de genética da escola, ele afirmava que, para a inovação acontecer, era preciso criar uma combinação especial de fatores, já que a operação e a rotina eram normalmente os genes dominantes.

Essa perspectiva me pareceu muito interessante pois aponta para a necessidade de montarmos um sistema que facilite a possibilidade de ocorrência dessas iniciativas. Muitas vezes é comum ouvirmos que a inovação não faz parte da cultura da empresa, mas isso somente é parte da explicação do porquê algumas empresas não inovam.

No ano passado fizemos um evento que reuniu gestores de grandes empresas brasileiras e conseguimos definir quatro grandes motivos para as empresas não inovarem: liderança, cultura, pessoas e estrutura. Inovar de forma contínua é um movimento de cima para baixo.

A liderança tem um papel fundamental em traçar direcionamentos e colocar esse tema na agenda estratégica do negócio. A falta de estabelecimento de prioridades e de visão de longo prazo, somados à pressão dos resultados de curto prazo fazem com que iniciativas que visam garantir o futuro do negócio sejam desprezadas em relação àquelas rotineiras e operacionais.

Quando falamos em questões culturais voltadas para inovação, foram citados pelo menos três motivos: falta de tempo, medo de errar e ambiente de trabalho conservador. Evidentemente ninguém tem tempo sobrando, mas sem sua alocação para gerar e conduzir os projetos de inovação não há como sistematizá-lo. Além disso, inovar significa fazer algo que ainda não foi feito, portanto, sempre haverá incerteza. Isso significa que correr o risco faz parte do processo.

O último tópico levantado da dimensão cultura diz respeito ao pouco estímulo da criatividade no ambiente de trabalho. Com a padronização dos processos, muitas empresas acabaram criando uma barreira contra a busca por formas alternativas de executar as atividades.

Falando em pessoas, as dificuldades encontradas invariavelmente recaíram sobre a falta de mecanismos claros de reconhecimento ou recompensa. Em toda empresa inovadora existe alguma forma de incentivo formal ou informal.

Essa simbologia é importante para fomentar o comportamento desejado. A baixa diversidade decorrente de uma política restrita de recrutamento e seleção explica parte da questão. Muitas pessoas com o mesmo perfil pensam da mesma forma, o que não é bom em se tratando de buscar novas soluções.

Existe um ditado que diz que cachorro com muitos donos morre de fome. A inovação sem coordenação definida também.

A falta de uma estrutura que funcione como mobilizadora para o processo de inovação pode tornar essa atividade difícil. Isso não significa que todos os projetos serão desenvolvidos por essa estrutura, mas sim que haja uma visão de portfólio e uma coordenação para isso.

É comum ouvirmos reclamações das dificuldades mercadológicas e institucionais para competir. Muitas vezes a solução está na própria empresa, criando um contexto que facilite a inovação.

Publicado no Brasil Econômico em 11/11/2011 (por Felipe Scherer)

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