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18 de outubro de 2011

Estratégias de sucesso

por innovacentro

A inovação não cabe numa caixa. Além de desenvolver produtos inovadores, empresas de todos os portes planejam novos serviços, montam estratégias para envolver os funcionários em um fluxo constante de produção e criam processos inéditos para a distribuição de mercadorias. De acordo com especialistas, é preciso ouvir clientes e fornecedores para fazer da busca pelo novo uma tarefa diária. E, nessa empreitada, algumas companhias já destinam até 50% do faturamento anual em pesquisa e desenvolvimento.

“A inovação é um fator fundamental para que as organizações aumentem a competitividade”, afirma Luiz Barretto, presidente do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-Nacional). “E quando falamos em inovação, não é só investir em tecnologia, mas em métodos e processos.”

Em São José dos Campos (SP), a Altave buscou diferenciação ao criar um novo produto para o mercado de telecomunicações. A novidade é um balão, de hidrogênio ou hélio, que pode levar sinal de celular para áreas rurais remotas, grandes eventos ou regiões atingidas por desastres naturais.

“Já temos um cliente no Nordeste e estamos em negociação com companhias de São Paulo e do Rio de Janeiro”, diz o engenheiro aeronáutico Leonardo Nogueira, sócio da empresa fundada no início do ano. “Há interessados também na Guiana Francesa e nos Estados Unidos.”

Com sete funcionários e estimativa de investir até 50% do faturamento do primeiro ano de atividades em pesquisas, a receita da Altave para inovar é criar soluções simples que possam resolver problemas tanto no Brasil quanto no exterior.

“O balão é uma alternativa flexível porque suporta diferentes equipamentos eletrônicos, pode ser usado em vários cenários e é de rápida instalação.”

Segundo Nogueira, entre os fatores fundamentais para a entrada da inovação na empresa foi o local escolhido para a sede. Além de conhecido polo aeroespacial, a cidade de São José dos Campos abriga o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), de onde vem a maioria dos funcionários, inclusive os sócios da companhia.

“Todos aqui podem propor novas maneiras de fazer, vender ou operar”, afirma. “Já iniciamos estudos para criar outra solução que poderá substituir os satélites em algumas aplicações”, Leonardo Nogueira.

Para Guilherme Ary Plonski, presidente da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec), as empresas podem abraçar a inovação independentemente do porte de seus negócios. “Mas é preciso capacitar os colaboradores em gestão da inovação e criar times especiais”, diz.

Na Editora Moderna, de títulos didáticos e de literatura, todos os 600 funcionários são motivados a manter a “cultura inovadora” em suas rotinas. “A partir de 2007, sistematizamos a busca pela inovação como parte do trabalho diário”, afirma o diretor de marketing Miguel Thompson. “Com ajuda de uma consultoria, um grupo multidisciplinar de gestores foi organizado para registrar as primeiras ideias.”

Em 2009, a empresa criou um prêmio para reconhecer funcionários com sugestões inovadoras em produtos, serviços e processos. Na primeira edição do concurso, quatro dos 21 projetos apresentados foram premiados e um deles estimulou o desenvolvimento de uma nova coleção de livros didáticos, lançada em 2010. Com recursos digitais, a série Moderna Plus cobre desde a educação infantil até o ensino médio.

No ano passado, a competição da editora recebeu mais de 30 projetos, de 80 colaboradores. 20% dos trabalhos apresentados até hoje já foram aproveitados. “Para inovar, a empresa deve abrir espaço para que as ideias partam de todos os funcionários, sem distinção de cargo”, ensina Thompson. “Os projetos não devem contar com intermediários ou passar pelo crivo dos chefes. O objetivo é compartilhar”, observa ele.

Segundo Bruno Rondani, diretor do Centro de Open Innovation Brasil (Coi-Br), associação criada para disseminar conhecimentos sobre inovação, a prática não pode depender de uma ou duas pessoas geniais nas organizações, destinados a produzir diretrizes para o futuro da empresa. “A inovação é um processo interativo e aberto. Os projetos surgem de qualquer lugar e as competências, infraestrutura e o conhecimento para desenvolvê-los também podem estar fora da companhia”, afirma.

Para o especialista, as empresas podem conseguir uma maior colaboração dos funcionários dando evidências de que a inovação é uma prioridade da direção. “Não adianta implantar programas de inovação se a companhia pressiona o quadro para a entrega de resultados a curto prazo”, avisa.

“O que importa não é o tamanho do negócio, mas a importância que se dá à inovação como fonte relevante de desempenho, competitividade e receitas futuras”, avalia Bruno Rondani.

Publicado no Valor Econômico, em 10/10/2011 (por Jacilio Saraiva)

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