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14 de outubro de 2011

Inovação? Fora daqui

por innovacentro

Incentivar a criatividade dentro da empresa já virou commodity. O que distingue as mais inovadoras do Brasil é estender o processo criativo para clientes, fornecedores, formadores de opinião…Desde que inovação virou esse santo Graal da competitividade, ali pelos anos 90, a maioria das empresas busca criar produtos, processos, serviços, o que for para se diferenciar da concorrência, atender melhor os seus clientes, entregar mais valor e, claro, ganhar margem de lucro. Com tanta gente preocupada com inovação, é normal que a competição vá ficando cada vez mais dura. E o ranking das empresas mais inovadoras do Brasil, elaborado pela consultoria A.T. Kearney e por Época NEGÓCIOS, mostra isso: “As empresas este ano mostraram um nível de excelência maior que no ano passado”, diz José Roberto Dalmolim, consultor da A.T. Kearney e coordenador executivo da pesquisa.

Não é só que os caminhos da inovação tenham ficado mais eficientes. Eles também ficaram mais abrangentes. As grandes campeãs se destacam por pensar em melhorar sempre a inovação dentro de suas fronteiras, é óbvio, mas também por estendê-la para fora dos limites da empresa. As empresas que vendem para outras empresas (B2B) buscam cada vez mais conhecer o que a A.T. Kearney chama de “ecossistema”. Não olham apenas para o cliente, mas para toda a cadeia do negócio – incluídos aí o consumidor final do produto, com o qual não lidam diretamente, e formadores de opinião. Procuram saber como inovar para atender melhor a cada elo.

Esta é uma das grandes qualidades da Basf, a campeã de 2011. Ela organiza, por exemplo, o Innovation Day, em que reúne pintores, balconistas, fornecedores e arquitetos para trocar experiências, conhecer produtos, dar ideias para as tintas que produz.

Para competir com as 100 empresas que se inscreveram para o prêmio, a Basf participou com a sua divisão de tintas, representada pelas marcas Suvinil e Glasurit. E recebeu, como outras 28 finalistas, a visita da equipe técnica da consultoria para confirmar o estágio da inovação revelada por um detalhado questionário enviado previamente às empresas. É preciso, afinal, comprovar na prática toda a teoria inovadora das candidatas a Best Innovator (o título em inglês se explica: o ranking é formulado há oito anos em 15 países pela A.T. Kearney).

Ao completar em 2011 um século de Brasil – a Suvinil tem 50 anos –, a Basf chega ao topo das 20 depois de um vice-campeonato em 2010 (vencido pela Whirlpool, agora segunda colocada). Enfrentou uma competição acirrada com gente reconhecidamente inovadora – como a IBM, que escalou 12 posições, para o terceiro posto da lista, a Dow, quarta colocada (oitava em 2010) e a Siemens, que estreou na lista este ano, em quinto lugar.

Tanto a ascensão de algumas das melhores de 2010 quanto a presença das estreantes têm como pano de fundo um aperfeiçoamento nas práticas de inovação. “Muitas empresas do ranking de 2010 examinaram mais detalhadamente nosso questionário e passaram a implementar o que faltava”, afirma Dalmolim. Outras tomaram as práticas das primeiras do ranking como referência (o tal do benchmark) e trocaram com elas visitas e experiências.

Vistas em conjunto, as 20 melhores deste ano evoluíram em vários aspectos das quatro dimensões da inovação consideradas para a classificação: estratégia; organização e cultura; processos e estrutura e suporte. Os destaques em cada dimensão e em resultado com inovação também recebem prêmio, assim como a melhor entre as pequenas empresas (de faturamento anual inferior a R$ 400 milhões).

Estender a inovação para fora de casa é apenas um pedaço da equação. Outro pedaço é estabelecer metas de inovação mais bem definidas e ligadas a resultados. Algumas companhias já não se limitam apenas a medir, por exemplo, quanto do faturamento vem hoje de novos produtos. Tratam de se certificar de que a carteira de projetos esteja adequadamente cheia para garantir determinado faturamento com inovação no futuro. E traçam cenários de longo prazo, como 20 anos, para que continuem competitivas. Pode ser no atual ou em novos mercados, aqui ou no exterior. “Definem o que chamam de áreas ou territórios de inovação para o futuro”, diz Dalmolim.

Fica mais clara ainda para as melhores, como anotaram os pesquisadores da A.T. Kearney, a necessidade de ter uma organização formal para lidar com inovação. É comum encontrar nas empresas uma estrutura extremamente técnica voltada a pesquisa e desenvolvimento. Inovação exige controle mais amplo, para identificar melhorias em processos, em novos negócios, em novas formas de abordar o mercado, de criar produtos e serviços – um dos pontos de destaque na dimensão organização e cultura. Outro é a preocupação em disseminar internamente o orgulho com o que a empresa faz e com os benefícios trazidos pela inovação. Nas melhores, também, a comunicação flui mais facilmente. Não existem barreiras no acesso às lideranças ou a quem possa implementar novas ideias. Há uma troca rápida de informações. GVT e Chemtech estão entre as que mais se destacaram nesse item.

Em termos de processos estabelecidos para inovar, as melhores aprimoram um controle e planejamento na implementação de projetos que já era bom, segundo Dalmolim. “Seguem passo a passo o andamento das inovações dentro dos chamados ‘stage gates’, os momentos de decisão”, afirma. Não se limitam apenas à informação do que ocorre. Podem agir para corrigir rotas.

É comum encontrar empresas com o discurso de que identificam e valorizam os funcionários mais inovadores. Muitas, porém, não têm formas de medir – as avaliações costumam ser subjetivas. Daí o destaque das melhores, por ter práticas de recursos humanos voltadas à inovação – um dos itens, junto com sistemas adequados de informática, da dimensão batizada de estrutura e suporte. Elas reconhecem o desempenho do funcionário em inovação, seja na remuneração, seja na evolução da carreira. Uma das medidas para saber quem é inovador, por exemplo, está no número de patentes obtidas, ou, até mesmo, no retorno que elas trazem. Outra medida é a quantidade de ideias implementadas.

Medir e cobrar inovação de todos – e não apenas da área de pesquisa e desenvolvimento – é outro diferencial das melhores. Essa prática, porém, tem de ter uma contrapartida: é preciso dar tempo para as pessoas. “As empresas têm de assumir uma postura de menos controle e mais confiança”, afirma Dalmolim. A IBM, segundo ele, faz isso muito bem.

No geral, além de mais aberta e com metas e medidas mais bem definidas, a inovação nas melhores é, de preferência, de cima para baixo – da liderança para os liderados –, ou dirigida. Quando é de baixo para cima, de acordo com Dalmolim, “pode vir qualquer coisa, boa ou não”. Todas as 20 campeãs do ranking Best Innovator sabem que a inovação não chega por acaso. “É resultado de gestão, processos e procedimentos”, diz Dalmolim. Nas reportagens a seguir, as lições das mais inovadoras.

Publicado na Época Negócios, em 03/10/2011 (por Antonio Felix)

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