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13 de outubro de 2011

As engrenagens da criatividade

por innovacentro

Raras são as inovações que nascem de lampejos de genialidade. No geral, elas são fruto de um processo metódico e mecânico, que mais se assemelha a uma linha de produção. Só assim para criar constantemente

Processos Avalia como a empresa se estrutura para gerar ideias e conseguir implementá-las

Um processo de inovação funciona como uma linha de produção. A matéria-prima básica (a ideia) passa pela avaliação inicial de uma série de pessoas e entra num processo de desenvolvimento que pode durar meses ou anos. Quando finalmente deixar de ser ideia para se transformar em projeto, e depois em produto, terá muito pouco do conceito original. Já terá sido mexida, remexida, transformada e embalada de uma forma que o autor da sugestão inicial provavelmente teria dificuldades em reconhecê-la. Raros são os casos de uma ideia que já nasce pronta para o consumo.

Tome como exemplo o processo adotado pela divisão de tintas da alemã Basf, destaque nesta dimensão. A empresa recebe, por ano, cerca de 600 sugestões, vindas de diversas fontes – dez, em média, seguirão em frente. São ideias que vêm dos funcionários, de pesquisadores de universidades parceiras, de clientes e até mesmo da população. Algumas deixam o processo por não ser uma inovação, apenas uma ação de fácil implementação. As que permanecem entram no funil da Basf, um processo conhecido internamente como phase gate (etapa-portão, em uma tradução livre). Esse sistema impõe que a passagem de uma fase para outra seja autorizada por um comitê, coordenado por um gatekeeper (porteiro). A cada fase, crescem as exigências para aprovação do projeto. “O processo torna as ideias finais muito mais assertivas e próximas do que o consumidor deseja”, diz Carolina Araújo, gerente de inovação da divisão de tintas da Basf. Como resultado de tamanha organização, a Basf Brasil acumula, ao longo de 20 anos, 3.183 patentes – o que dá uma média de três novos registros por semana.

A White Martins utiliza um sistema semelhante. Ali, as ideias passam por um funil – seis fases ao todo – e são avaliadas por um comitê formado por 18 profissionais. Das 962 sugestões registradas neste ano, 740 já superaram a primeira fase. Quando isto ocorre, as ideias ganham um pai ou uma mãe – geralmente um líder técnico que irá cuidar do projeto ao longo de todo o processo.

Na americana Dow, toda sugestão é analisada pela equipe de inovação e direcionada para a área beneficiada. Quando o gestor se interessa, monta um time para cuidar do projeto. “Tão importante quanto estruturar o processo é dar alguma satisfação aos funcionários cujas sugestões não foram aprovadas”, afirma Marcelo Junho, diretor de negócios da Dow. A tese é que o reconhecimento do esforço é a melhor forma de estimular a produção de ideias. É preciso manter em alta o estoque de matérias-primas.

Das 600 ideias recebidas pela Basf, apenas 10 se transformam em projetos de inovação
 
Publicado na Época Negócios, em 04/10/2011 (por Por Karla Spotorno)
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